
Edição internacional - Português
Reflexões Críticas sobre o 5º FSM
Alex Callinicos e Chris Ninehan
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1- O Quinto Fórum Social Mundial (V FSM) que se
realizou em Porto Alegre, entre os dias 26 e 31 de janeiro de 2005,
demonstrou a enorme força do movimento global que ganhou visibilidade a
partir das lutas de Chiapas, Seattle, e Gênova. Na passeata de abertura do
V FSM, 200.000 pessoas tomaram parte; 155.000 participantes estiveram
envolvidas em 2.500 atividades; uma rica variedade de eventos culturais; a
Assembléia Final dos Movimentos sociais que lançaram a chamada por um dia
de protesto global contra a ocupação de Iraque no dia 19 março. Tudo isso
é motivo para celebração. Como dois participantes vindos da Inglaterra,
apreciamos muito a oportunidade de compartilhar todas essas coisas, assim
como o calor e a hospitalidade do povo brasileiro e o dinamismo dos seus
movimentos sociais. Não há dúvida de que as idéias e a agenda do movimento
pela justiça global têm hoje um apelo maior do que nunca. Mas ao mesmo
tempo, há um outro aspecto do 5º FSM que desejamos discutir, que traz à
tona preocupações sérias sobre seu impacto potencial no movimento mundial
contra a globalização neoliberal e a guerra imperial.
2- Comecemos com a questão mais óbvia. A famosa 'Carta de Porto Alegre' - a Carta de Princípios do Fórum Social Mundial – é bastante invocada nas controvérsias no interior do movimento porque não permite a participação das “representações partidárias” e proíbe que os Fóruns Sociais tomem decisões. A proeminência dos partidos da esquerda radical nos Fóruns Sociais Europeus em Florença e Londres foi criticada fortemente como uma violação da Carta. Chico Whittaker, um dos fundadores do FSM, justificou a Carta em termos bastante poéticos: como ‘uma praça sem dono’ de uma aldeia, um Fórum Social é 'um espaço socialmente horizontal'. Como então justificar o fato de que no dia em que os seminários e debates tiveram início no FSM, Luiz Inácio Lula da Silva tenha participado de uma atividade que teoricamente seria um seminário, mas que na verdade era uma reunião de massas do Partido dos Trabalhadores (PT), dentro do FSM? Lula não é só dirigente do PT, mas o Presidente da República do Brasil. A sua participação no Fórum não parece ser muito ' horizontal'. É como se o prefeito da aldeia, seguido de seu séquito, forçasse caminho entre os mendigos da praça para proclamar o seu amor pelos pobres. Duas questões estão envolvidas aqui. Uma é a questão de princípio. Na nossa opinião é um engano impor uma proibição aos partidos, uma vez que as organizações políticas participam dos movimentos sociais e articulam diferentes estratégias e visões que são uma contribuição legítima aos debates que acontecem nos Fóruns Sociais. Na realidade, a Carta de Porto Alegre sempre foi burlada, mas o ato de Lula fez com que a hipocrisia ficasse absolutamente flagrante. Com certeza seria mais honesto emendar ou jogar fora esta proibição esfarrapada. A segunda questão é mais urgente. Independente do que tenha sido no passado, Lula é agora um dos líderes globais do social-liberalismo, fazendo parte de um eixo político que o liga a Thabo Mbeki, Gerhard Schröder, Bill Clinton e Tony Blair. O seu governo adotou voluntariamente uma meta de superávit primário mais elevada do que a exigida pelo Fundo Monetário Internacional, e recentemente elevou as taxas de juros a níveis que foram condenados até por industriais brasileiros, por favorecerem os interesses do capital financeiro. Neste contexto, a natureza do ato de Lula é também instrutiva. Ele estava apoiando a Chamada Global para a Ação contra Pobreza. A agenda de Lula parece idêntica à de Blair e seu Ministro de Finanças, Gordon Brown, nos seus preparativos à cúpula do G-8 em Gleneagles, Escócia, a ser realizada no mês de julho. Blair, desacreditado pelo seu papel junto a George W. Bush na guerra contra o Iraque, está tentando se projetar como o salvador dos pobres do mundo. Ele e Brown estão tentando conquistar o apoio das principais organizações não-governamentais que, na Inglaterra, tomaram a importante iniciativa de lançar uma poderosa coalizão, Make Poverty History (Faça da Pobreza História), para pressionar o G8 para que aborde seriamente o problema da pobreza global. O fato de que até mesmo um fomentador de guerras imperialista como Blair se sinta obrigado a expressar uma preocupação pela situação do Sul global é um tributo ao impacto de nosso movimento, cujas origens, em parte, estão na campanha contra a dívida do Terceiro Mundo, que ganhou força durante os anos noventa. Mas a transferência de recursos envolvida, por exemplo, no ‘Plano Marshall para a África' de Brown passa longe do que realmente é necessário para mudar as vidas dos seus habitantes, que vivem na miséria. Mais do que isso, toda ajuda ou pacote de redução da dívida vem carregado de condições que introduziriam mais do mesmo veneno neoliberal que ajudou a produzir a miséria. A intervenção de Lula em Porto Alegre era parte deste projeto de reconstrução do apoio aos governos social-liberais, reciclando e maquiando o neoliberalismo para apresentá-lo como o caminho para ajudar os pobres do mundo. Responder a este empreendimento ‘orwelliano’ através da construção de protestos de massas, exigindo uma profunda redistribuição global de recursos, começando com o cancelamento de todas as dívidas do Terceiro mundo, está se tornando um desafio essencial para o nosso movimento, particularmente nos nossos preparativos para a cúpula de Gleneagles. 3- Talvez as pressões políticas domésticas sobre os organizadores brasileiros do FSM tenham sido demasiadamente fortes para resistirem à demanda de que o próprio Fórum deveria ser um local para a tentativa de políticos do Terceiros Mundo para tentarem se apropriar da agenda do movimento por um outro mundo.. Mas eles devem assumir a responsabilidade pelo modo como o próprio V FSM foi organizado. Inspirados pelo 4º FSM de Mumbai, os organizadores retiraram as atividades do Fórum da PUC, transferindo-o para a margem direita do Rio Guaíba. Isto teve a grande vantagem, em comparação aos Fóruns anteriores de Porto Alegre, de favorecer a proximidade física (embora a caminhada de um extremo a outro fosse árdua, particularmente sob o calor de uma cidade em condições de seca). Mas este ganho foi minado pela divisão do local em 11 distintos 'Terrenos Temáticos’, cada um dedicado ao um tema político específico. Assim o Espaço A foi dedicado ao ‘Pensamento Autônomo’, B para ‘Defesa da Diversidade, Pluralidade, e Identidades’, C para ‘Arte e Criação’, e assim por diante. O efeito disso foi a fragmentação do Fórum. Se você estivesse interessado em um assunto particular - digamos, cultura ou guerra ou direitos humanos - você poderia passar facilmente todos os quatro dias em uma área relativamente pequena, sem entrar em contato com pessoas interessadas por assuntos diferentes. Este é, na nossa visão, um desenvolvimento potencialmente desastroso. Uma das grandes belezas do nosso movimento - e dos Fóruns que emergiram desse movimento e ao mesmo tempo ajudaram a sustentá-lo - é a maneira como pessoas de origens e experiências diferentes, e com as mais diversas preocupações, chegam e se misturam, participando de um processo de “contaminação” mútua, no qual aprendemos e ganhamos confiança uns dos outros. Essa dinâmica foi bastante debilitada pela fragmentação temática e pelo vasto tamanho do local onde se realizou o FSM em Porto Alegre este ano - ainda mais que não houve nenhum evento geral, comparável à mágica cerimônia de abertura em Mumbai, quando 100.000 pessoas sentadas escutaram oradores como Arundhati Roy, Chico Whitaker, e Jeremy Corbyn, tendo como pano de fundo o aveludado de uma noite indiana. Sabemos pela experiência do Fórum Social Europeu, realizado em Londres. que reunir e organizar plenárias coletivamente organizadas é um trabalho diligente. Mas é um trabalho que contribui para definir prioridades, e proporcionar foco e direção ao Fórum. O efeito desta fragmentação, particularmente em combinação com a intervenção de Lula, não é politicamente neutro. Corre na direção oposta à tendência no movimento mais amplo de fazer conexões entre os desafios que enfrentamos, entre neoliberalismo e catástrofe ambiental, por exemplo, e crucialmente, entre a globalização corporativa e a guerra. Como Emir Sader, um dos principais intelectuais da esquerda brasileira e um fundador do FSM, afirmou, “enquanto o Fórum enfatizar assuntos secundários, não há nenhum debate principal sobre o assunto mais importante do dia - a luta contra a guerra e a hegemonia imperial no mundo”. 4- Seria um erro superestimar essas debilidades. O 5º FSM foi uma ocasião para muitos sucessos. Por exemplo, a Assembléia contra a guerra marcou um real passo adiante na cooperação entre ativistas de diferentes partes do mundo. Uma aliança de grupos ambientais conseguiu lançar uma de semana de ação contra mudança climática. Sem dúvida outras assembléias temáticas e redes puderam tomar iniciativas, embora a fragmentação geral tenha dificultado a divulgação. A Assembléia final dos Movimentos Sociais, embora lamentavelmente não tenha sido divulgada na programação do FSM, proporcionou um sentido real de diversos ativistas que convergiram a uma agenda comum de lutas. E ocorreram, até onde sabemos, alguns bons debates. E deveríamos reconhecer que algumas das dificuldades são um produto de discordâncias políticas. O gigantesco ato de Hugo Chávez foi um ponto de encontro para a esquerda antiimperialista, e como tal, uma resposta tácita ao ato de Lula - a confrontação implícita entre os dois líderes foi realçada pelo fato de que ambos se dirigiram a atos que lotaram o mesmo Estádio Gigantinho. Precisamos continuar tendo Fóruns e mobilizações onde os apoiadores de Lula e Chávez - como também aqueles dentre nós que têm reservas também em relação a Chávez - possam trabalhar e debater juntos com tranquilidade. Mas o propósito de delinear um balanço é, certamente, proporcionar alguma orientação para o futuro. O FSM na Índia de 2004 fixou um ponto de referência que outros - os organizadores do último FSE em Londres, assim como do último Fórum em Porto Alegre - se esforçaram para atingi-lo. Porém, apesar de seus aspectos positivos, o mais recente FSM não ofereceu um modelo comparável. Na realidade, em alguns aspectos - em particular a fragmentação temática que nós descrevemos, seu exemplo deve ser evitado. O Fórum Social nos lançou um desafio. Mas esse desafio não é simplesmente denunciar e expor a falsidade da “salvação” global dos pobres prometida por Blair e Lula. Qualquer um pode fazer isso. O que temos que fazer é construir um movimento capaz de mostrar que existe uma alternativa melhor. 8 de fevereiro de 2005 Alex Callinicos é membro do Socialist Workers´ Party (SWP) da Grã Bretanha e é professor na Universidade de York; Chris Ninehan é membro do SWP e da organização ‘Globalise Reistance’. (1) Para discussão adicional de alguns dos assuntos envolvida, veja o A. Callinicos,' O Futuro do Movimento Anti-capitalista', em H. Dee, ed., Anti-capitalismo: Onde Agora? (Londres, 2004). Fonte: Revolutas (www.revolutas.org). |
Avaliação do Fórum Social Mundial e da intervenção do P-Sol.
I.- Os fatos mais destacados do FSM
O FSM 2005 foi massivo; mais de 150 mil participantes, duas mil oficinas dos mais variados tipos, 30 mil pessoas credenciadas no acampamento da juventude, uma manifestação no início que contou com umas 80 mil pessoas e milhares de iniciativas de todo o tipo. Isto indica que o FSM segue sendo um pólo de atração para o movimento antiglobalização. Ainda que suas atividades estejam mais dispersas, é sem dúvida um lugar de encontro das forças antiglobalização e de setores de vanguarda.
Numa minuta da Executiva Nacional de preparação de nossa intervenção, advertimos que este FSM era diferente das edições anteriores realizadas em Porto Alegre, visto que se deu no momento em que o governo social liberal de Lula completa dois anos e se processam mudanças degenerativas qualitativas no PT. A falência do PT provocou um golpe nos principais organizadores do Fórum, o que, como veremos, coloca interrogantes sobre o futuro do FSM centralizado. Diante deste novo cenário na realização do Fórum, um eixo importante, o fundamental em que tínhamos que intervir era enfrentar essa política social liberal de Lula, mostrando o P-Sol e sua política como uma alternativa ante o social liberalismo. E podemos concluir que de fato nosso partido foi um acontecimento político do Fórum, sua presença foi sentida pelos milhares de participantes, com grande repercussão também na mídia.
Antes de uma avaliação mais detida do P-Sol, vamos começar este balanço - que tem muitos pontos para serem debatidos -, assinalando os fatos fundamentais mais gerais ocorridos no FSM, que são também os que a imprensa dedicou espaço. Também neste primeiro ponto queremos abordar algumas das conclusões mais importantes sobre o FSM.
1.- Lula e Chávez; dois atos distintos, um de submissão ao FMI e a Davos, outro de enfrentamento com o imperialismo
Sem dúvida, os pontos altos do FSM foram a vinda de Lula e a de Chávez para os quais se programaram dois atos no mesmo ginásio, o Gigantinho, organizados oficialmente pelos organizadores do FSM. É possível que Chávez tenha pressionado para vir apoiando-se no MST, mas o FSM, em última instância, teve que assumir sua participação. Assim, uma diferença importante que salta à vista em relação a Chávez é que em 2003 teve que desafiar a proibição dos organizadores e veio numa atividade promovida pelo mandato de Luciana Genro. Desta vez, seja por opção ou como resposta diante da determinação do presidente venezuelano de participar, o objetivo dos organizadores foi de apresentar as duas figuras como duas caras de um mesmo processo de luta antineoliberal, a ala mais “moderada e responsável” de Lula, e a de Chávez como a ala esquerda.
Entretanto, o intento morreu antes de nascer porque se evidenciaram duas políticas diferentes. Lula, já vindo com seu novo avião preparado para ir de POA direto a Davos, se apresentou como o “líder” que quer unir o FSM com Davos, defendendo as reacionárias e/ou cosméticas propostas de que os países ricos sustentem um fundo contra a fome e eliminem o protecionismo para que o agronegócio possa ter mais facilidades de exportação. Chávez, embora tenha se prestado a cumprir um nefasto papel ao respaldar Lula, fez um discurso oposto à política de Lula e apareceu como o líder de um processo bolivariano que expressa um enfrentamento real às políticas do imperialismo e de ruptura com o neoliberalismo em seu país. Essa foi a diferença de qualidade, que se expressou nos dois atos que foram bem diferentes.
O ato de Lula contou com menor presença, sua entrada foi estritamente controlada com um operativo quase militar que iniciou trazendo gente nas primeiras horas para ocupar parte fundamental do ginásio e depois um estrito controle das credenciais do FSM. Foi um ato frio, onde Lula empenhou-se em mostrar sua política assistencialista. O repúdio central ao mesmo, destacado pela imprensa, foi feito do lado de fora pela coluna do P-Sol – com a qual logo somou-se o PSTU para fazer um ato conjunto. Entretanto, seria uma análise irrealista não compreender que, inclusive em um setor importante de brasileiros do FSM, Lula segue sendo respeitado, seja por seu passado ou porque não vêem outra alternativa a sua política presente.
O ato de Chávez lotou o ginásio e teve uma entusiasmada adesão. Ficaram três mil pessoas do lado de fora, mas neste caso apoiando Chávez. O ato foi organizado fundamentalmente pelo MST, que levou a CUT, Olívio Dutra e um dos organizadores do FSM que falou da identidade entre Lula e Chávez. Entretanto, este intento de usar Chávez para adocicar a presença de Lula fracassou. O ato terminou sendo polarizado com muita força pelos militantes do P-Sol – com uma parte importante organizada – que conseguiu em alguns momentos contagiar com suas consignas, notadamente as palavras de ordem contra as reformas do governo Lula, cantadas massivamente por todo o ginásio, isto é, as palavras de ordem contra a política do governo pegavam fácil (quando as palavras de ordem eram mais ofensivas e diretamente contra o governo, do tipo Lula traidor, o público não acompanhava, o que tem importância para definir bem que palavras de ordem que privilegiamos em eventos como este). Mais destacável ainda é que a presença de Marinho, dirigente da CUT, que foi co-organizador da atividade, foi vaiada do início ao fim, não pôde falar, como também o foi, ainda que bem em menor grau, a de Olívio Dutra, ex-governador do Rio Grande do Sul.
A imprensa também constatou estes fatos e viu a diferença entre os dois atos. O de Chávez, um ato bem combativo, massivo, com adesão entusiasmada de todos os presentes, enquanto o ato de Lula, frio e com suas vaias de repúdio. A presença do P-Sol no Gigantinho foi um destaque. A própria Folha de São Paulo noticiou que os presentes se dividiam entre o PT e o P-Sol. O PSTU não se fez presente.
Se nestes dois eventos a presença do P-Sol foi destacada, como fator de oposição ao neoliberalismo e ao governo Lula, e de parte da resistência antiimperialista, também fomos notícia no conjunto do FSM. Aparecemos com uma boa coluna de cerca de 2 mil companheiras e companheiros com grande presença da juventude na marcha de abertura. Por outro lado, o encontro do P-Sol, que reuniu 1.500 pessoas, também teve sua repercussão na imprensa nacional e internacional.
A aparição do P-Sol coincidiu com a renúncia de 111 intelectuais e sindicalistas encabeçados por Plinio de Arruda Sampaio Jr e Jorge Martins (Jorginho), dirigente da esquerda da CUT, que utilizaram o FSM para anunciar sua ruptura com o PT. Estes dirigentes estiveram presentes no encontro do P-Sol. Mesmo que nem todos eles ingressem no P-Sol, esta nova ruptura mostra, por um lado, a mudança qualitativa irreversível do PT e, por outro, reafirma a credibilidade do P-Sol como a alternativa a esse processo. Todas as notas sobre estas rupturas tiveram e tem que tomar como ponto de referência o P-Sol. Um editorial da Folha de São Paulo, que se refere ao fato, termina dizendo como o PT foi se transformando desde 80 para converter-se agora em um mero partido de poder, ou seja, um partido a mais, cuja essência é o poder e continuar no poder. Uma transformação profunda que desmente aqueles que pensam que ainda há algum espaço de disputa dentro do partido. Junto com a participação de Plínio Jr e Jorge Martins, participou do Encontro, fazendo uma saudação de solidariedade, o dirigente petista Plínio de Arruda Sampaio, declarando-se abertamente crítico severo e dissidente do PT. Finalmente, foi lida uma lista de militantes de alguns estados, com destaque do Rio de Janeiro, de ruptura com o PT e adesão ao P-sol, sendo uma parte importante deles militantes da Democracia Socialista.
Neste FSM ficou evidenciado que seu peso fundamental reside em poderosas ONG´s brasileiras centralizadas pela ABONG, que estão ligadas à política social liberal de Lula. Esta direção pretendeu fazer do FSM um evento de colaboração com o governo e de cobertura de esquerda ao mesmo, e nesse sentido, seu resultado foi bem contraditório. É evidente que um setor dos participantes não se chocou frontalmente com o governo Lula, mas seus laços são sem entusiasmo e frouxos, enquanto uma parte minoritária, mas muito importante, rompe definitivamente. Esta ruptura é a grande novidade da política brasileira e deixa claro o espaço social e político para o P-sol.
Entretanto, o fato que mais demonstra que Lula e o PT não podem – talvez nem queiram - ser mais os patrocinadores do FSM, é que este saiu de POA e não foi programada para nenhuma cidade administrada pelo PT, sendo a partir de agora de dois em dois anos e regionalizado. Não ficou claro que peso terá o próximo FSM centralizado, sendo que se abriu a possibilidade real de que o próximo fórum, o regional da América Latina, ocorra em Caracas, como foi anunciado publicamente no ato de Chávez, o que seria um fato muito progressivo. Desta maneira fecha-se um ciclo dos FSM’s em POA, o ciclo da referência em Lula, o que abre interrogantes sobre as perspectivas do FSM. Teremos que estudar se são abertos novos espaços, inclusive encontros mais progressivos, em particular na hipótese do FSM ser Caracas.
Esta situação geral do FSM com a passagem do petismo ao social neoliberalismo é talvez o que explique a aparição, pela primeira vez em um FSM, de um manifesto – mais à esquerda que as ONG´s Lulistas e da organização como um todo - subscrito por vários membros do FSM como Bernard Cassen, Frei Betto, Emir Sader, Ignacio Ramonet, Jose Saramago e Eduardo Galeano entre outros. Apesar disso, e tendo algumas posições corretas, embora limitadas, como a Taxa Tobin, o manifesto é equivocado por fomentar ilusões e enganos, como a que propõe a transferência da ONU para outro país preferentemente do Sul, “no caso de existirem violações dos direitos humanos nos EUA”. Também propõe o desmantelamento das bases militares estrangeiras em todos os países salvo quando estejam sobre o mandato da ONU, o que significa apostar na ONU como instituição mediadora dos conflitos, quando se trata de uma instituição dominada pelas grandes potências.
Diante da polarização mundial que impulsiona a política de Bush, por um lado, e da resistência de massas por outro, este manifesto ignora que se não se derrota o imperialismo ( que, como disse Chávez não é só os Estados Unidos, mas também todos os imperialismos) é impossível alcançar outro mundo. Neste sentido, podemos afirmar que as bandeiras desse neoreformismo, se o objetivo é combater o imperialismo, são cada vez mais irreais, porque o enfrentamento ao imperialismo e ao neoliberalismo neste período só é possível com política e medidas antiimperialistas e anticapitalistas, como inclusive teve que expressar Chávez em seu discurso.
Em contrapartida a este manifesto, o movimento antiguerra conseguiu unificar uma ação comum nos dias 19 e 20 de março. Jogaram um papel importante para isso os setores ligados ao SWP inglês e ao ISO (Organização Internacional Socialista) dos Estados Unidos, como também uma importante delegação coreana. O P-sol teve ser parte ativa do chamado desta jornada, cuja massividade depende, sobretudo, do que se consiga nos países europeus (Inglaterra, Itália e Espanha) e nos EUA, onde lamentavelmente o movimento antiguerra se encontra atualmente dividido em três plataformas nacionais.
6.- A importância da Venezuela e o discurso de Chávez
Se a presença de Chávez foi o fato mais importante do FSM, a mudança para Caracas é uma espécie de corolário disso. A Venezuela segue sendo fundamental, porque é o ponto mais avançado da luta de classes no continente. Ao mesmo tempo, temos que precisar que a vinda de Chávez dá-se em um contexto diferente ao de 2003. Naquele momento, o enfrentamento com o imperialismo e com a burguesia era aberto, e a correlação de forças indefinida. Hoje, depois do referendo, a correlação de forças é diferente, porque a direita golpista foi enfraquecida. Isto não nega que o enfrentamento continua, porque a política de Bush não mudou, mas se adapta a uma nova correlação de forças. O que intenta agora é a desestabilização via o governo militarista de Uribe que organizou o sequestro do diplomada/dirigente das FARCs com o objetivo de desestabilizar o exército e provocar um conflito diplomático. Este conflito, por sua vez, ainda não se resolveu totalmente, já que Uribe acabou, por ordem de Bush, não reunindo-se com Chávez. É por isso que a solidariedade com a Venezuela segue colocada, ainda que agora esteja também ligada ao apoio às medidas de aprofundamento da revolução como a reforma agrária, etc.
O discurso de Chávez reflete este novo contexto. Primeiramente temos que dizer que foi um discurso claramente diferenciado do de Lula, antiimperialista, de chamado à resistência. Por isso, foi progressivo, tendo, do ponto de vista da teoria e da ideologia, um conteúdo de enfretamento ao capitalismo (“todos os imperialismos são inimigos”, “o problema é o capitalismo”, “o caminho é a revolução e o socialismo”). Porém, do ponto de vista das medidas concretas para enfrentar o imperialismo, sua intervenção foi mais dúbia, e sua política internacional (independente das considerações diplomáticas) foi a de constituir um bloco alternativo com a China; com Putin, Lula e Kirchner, ou seja, uma política campista, falando de um campo de países progressivos que certamente é bastante irreal - ademais incluindo a China e a Rússia de Putin, ambos bastante aliados de Bush. Neste marco se enquadra seu respaldo a Lula. Desta forma o discurso desarma a vanguarda ao não afirmar que o decisivo, contra o imperialismo é a mobilização dos povos e dos trabalhadores, por mais que o governo da Venezuela – sobretudo se apoiado por seu povo em luta - tenha lógico direito de estabelecer as relações diplomáticas que lhes pareçam necessárias para defender-se contra a agressão.
Já falamos da presença do P-Sol nos acontecimentos do FSM e na imprensa. A coluna na marcha de abertura foi grande e animada e, graças a isso, teve destaque na imprensa. Ainda assim, para as próximas atividades temos que conseguir uma ordem melhor – maior espaçamento entre os participantes - e uma animação mais de conjunto, com baterias, bumbo, etc, que desta vez eram poucos.
Um parágrafo especial merece as bancas do P-Sol. Pelo que sabemos, fizeram uma venda muito grande, vendendo materiais do partido (os companheiros do RS venderam cerca de 7 mil reais), tendo sido aberto uma importante quantidade de contatos. Os companheiros que estiveram nas bancas e atenderam às pessoas que buscavam o P-Sol, reclamaram a falta de materiais escritos do partido. Houve camisetas, boné, bottons, mas faltou uma publicação unificada do partido, o programa ou um jornal. O que havia eram publicações de correntes e não do partido. Este foi sem dúvida um ponto débil. Deste balanço deriva a importância determinante do jornal nacional mensal do P-Sol.
Finalmente, foi graças a posição do P-sol que a manobra dos organizadores de tentar fazer com a que marcha de abertura fosse feita em silêncio, sem carros de som, fracassou totalmente. O P-sol foi com suas palavras de ordem e garantiu que na marcha aparecesse um pólo antiimperialista e de oposição de esquerda ao governo Lula.
1 - Um segundo encontro que mostrou o dinamismo do P-Sol
a - O segundo encontro, que foi a atividade central do P-Sol, foi um triunfo notável, superior ao primeiro encontro. Num ponto especial tocaremos a presença das delegações internacionais que mostraram uma realidade internacionalista do P-Sol, sendo de verdade um ponto de confluência e de reagrupamento para outras correntes internacionais. O encontro refletiu a dinâmica progressiva do partido, a força da militância e os logros que o partido obteve nestes sete meses de sua constituição. Sob o ponto de vista da representatividade, dobrou a presença em relação ao primeiro encontro. Contou com a presença dos dissidentes que romperam com o PT e outros companheiros como Marangoni que ainda estão no PT, mas expressaram sua solidariedade com o partido, mostrando dessa maneira que o rechaço militante ao PT em geral vem acompanhado da referência no P-Sol.
b – Houve um bom nível de discussão que permitiu que as resoluções apresentadas pela Executiva fossem votadas e fossem feitas incorporações. Mostrou uma militância muito aguerrida, comprometida com a construção e a organização do partido. Nesse sentido, temos de destacar a preocupação de fazer com que o partido seja cada vez mais orgânico, com núcleos, plenárias, etc.
c - O encontro mostrou também a direção unificada com três resoluções claras, entre elas uma resolução política para intervir nas lutas e nos processos políticos, apontando uma série de medidas, entre as quais uma das fundamentais é a proposta do nome de Heloísa Helena como candidata a presidência da república. Dessa forma o partido saiu do encontro com resoluções para fazer a disputa política e intervir na luta de classes no próximo período. Ao mesmo tempo enfrenta o desafio de seu primeiro Congresso, marcado para novembro, tendo como limite a primeira semana de dezembro.
d - É necessário assinalar que a juventude do P-Sol foi a mais ativa dentro do FSM. Por sua participação na marcha de abertura, a atividade de repúdio a Lula, a marcha desde o acampamento até o ato de Chávez, como por sua própria oficina internacional realizada no acampamento.
2 - Fortalecimento qualitativo das relações internacionais do P-Sol
No ato do P-Sol se fizeram presentes praticamente todas as correntes e partidos políticos fundamentais do movimento anticapitalista e socialista internacionalista dos EUA, Europa e América Latina. Tomaram a palavra na abertura do evento Ahmed Shawky do ISO dos EUA; Alex Calinicos do SWP da Inglaterra; François Olivier representante da LCR da França; Charles Udry, do Movimento pelo Socialismo da Suíça; Eric Toussiant do movimento pelo não pagamento da dívida externa da Bélgica; Hingins, deputado irlandês do CIO; Stalin Borges, pela OIR e a corrente da UNT da Venezuela; Olmedo Beluche do MPU do Panamá; Aleardo de la Lucha Continua do Peru; Francisco Ortiz, da Luta Socialista do Chile, Guilhermo Pacagnini do MST da Argentina; Miguel Sorans da UIT Argentina; Nora Ciaponi, pelo grupo Cimientos, Boby Saenz do MAS, um companheiro do Socialismo Revolucionário, todos também da Argentina. Roland Denis, do Movimento 13 de Abril da Venezuela, lamentou e justificou sua ausência por razões pessoais. Dificilmente um evento político partidário tenha reunido nos últimos tempos este espectro mundial de forças socialistas revolucionárias. Isto indica que o P-Sol é um fator progressivo no terreno internacional que permite um alinhamento de forças que têm diferentes origens e história. Nesse sentido foi fundamental neste encontro a presença e apoio ao P-sol dado pela LCR francesa, pelo seu peso como organização na França, e também à medida que uma fração da DS faz parte do P-Sol, sendo que há outro setor importante desta tendência, majoritário, que participa do governo Lula com o Ministro de Assuntos Agrários, Miguel Rosseto. A presença e o claro apoio da LCR ao P-sol foi assim uma grande força ao nosso partido.
No dia posterior ao encontro do P-Sol, foi realizada a atividade internacional convocada pelo P-Sol que também contou com a presença de todas estas delegações mais o companheiro Roland Denis. A idéia era fazer uma reunião mais de trabalho com as delegações internacionais. Mas este objetivo teve suas dificuldades de organização, já que estava anunciado oficialmente no calendário das atividades do FSM como um debate internacional com a presença dos deputados do P-Sol mais os dirigentes internacionais. Além disso, o evento, que convocava os militantes do P-Sol para as 10h, já estava com grande fluxo de pessoas desde as 9h - mais de duzentas pessoas na sala - entre elas uma importante delegação coreana. Esta contradição não foi bem resolvida. Poderíamos ter feito uma palestra com alguns convidados internacionais para estas pessoas e depois uma reunião mais de trabalho. De toda forma, terminamos fazendo a reunião pequena de todas as delegações na qual pautou-se a realização de um seminário internacional tendo inicialmente por base dois temas propostos por Calinicos: a situação do imperialismo e a construção dos partidos no século XXI. Este seminário internacional será discutido detidamente pela Executiva do P-sol para apresentar uma proposta de temário, agenda, convidados, tendo a indicação de realização para julho deste ano. Também se decidiu que os partidos latino-americanos farão uma atividade comum de repúdio à ida de Bush a Mar del Plata (Argentina) em novembro, quando se realizará a cúpula com os presidentes latinoamericanos.
3 - A atividade estudantil internacional contra as reformas neoliberais na educação.
Esta oficina foi organizada pelas federações e entidades estudantis ligadas ao P-Sol, ao MST da Argentina (FUBA e Centros de Córdoba), la Lucha Continua do Peru, a Federação Bolivariana de Estudantes, companheiros da Corrente de Esquerda do Uruguai. Também participou um companheiro da UNAM do México. A atividade permitiu tirar uma boa resolução contra as reformas educacionais e uma atividade comum na ida de Bush à Argentina. Das organizações que convocaram a atividade, não puderam se fazer presentes as delegações de Oruro e Puno, que vinham de lutas estudantis importantes.
4 - A oficina do MTL
A presença de uma importante delegação do Movimento Terra, Trabalho e Liberdade, permitiu a este movimento social relacionado com o P-Sol estreitar os laços com o conjunto do partido, com sua juventude, bem como com os participantes do FSM, em especial com um arco de organizações internacionais que se fizeram presentes em sua oficina. Esta reunião contou com um representativo público. Nela fez-se uma excelente apresentação do MTL. Estas atividades têm o objetivo de fazer o MTL ser conhecido e estabelecer relações de solidariedade em nível nacional e internacional para futuras ações de solidariedade com suas lutas. Destes queremos destacar especialmente os contatos feitos com os lutadores de Venezuela.
Com relação a estes destaques, podemos e devemos observar que o MTL, enquanto movimento social, conseguiu colocar em evidência para milhares de jovens um charme que até então era uma espécie de monopólio do MST na juventude rebelde. A animação das festas da juventude com seus músicos, a produção de alimentação popular e a preços populares na área do acampamento, as bandeiras do MTL cravadas no acampamento, são parte importante do nosso balanço.
5 - Uma atividade cultural fecha com chave de ouro a participação do P-sol
Também o P-sol teve uma importante iniciativa cultural a partir da promoção da pré-estreia do filme “Araguaia, conspiração do silêncio”. A pré-estreia contou com a participação de Ronaldo Duque, diretor do filme; de Françoise Forton, atriz; e de Criméia Almeida, ex-guerrilheira e militante dos direitos humanos. Luciana Genro fez a abertura dos trabalhos e anunciou que a abertura dos arquivos da ditadura militar era uma bandeira empunhada pelo P-Sol. O auditório da Assembléia Legislativa foi ocupado em plena noite de segunda-feira, já no encerramento do Fórum Social Mundial, um sucesso fechando com chave de ouro nossa intervenção.
6 - A importância de ter uma regional no Rio Grande do Sul com estrutura de militantes e de quadros organizados e consolidados.
Já destacamos a militância aguerrida do P-sol, seja na marcha, nos atos, no encontro do P-sol. Foi um gigantesco esforço de toda a militância, sendo que algumas delegações viajaram dias para chegar até Porto Alegre, dando um verdadeiro exemplo ao juntar dinheiro para os ônibus, ao realizar tamanho esforço para garantir uma intervenção com êxito do partido. Não queremos, porém, deixar de destacar a preparação prévia da participação do P-SOL e a garantia da infraestrutura das atividades do partido. Este esforço recaiu nos militantes do P-Sol do Rio Grande do Sul, em particular de sua corrente interna, o MES. Desde as negociações para garantir os espaços do P-Sol, a confecção de material para venda, como as camisetas do P-Sol/Venezuela, a articulação para alojamento para muitas delegações, bem como a organização do acampamento da juventude e a preparação do local do encontro (limpeza incluída), foram atividades militantes fundamentais para garantir o sucesso do P-Sol. Isso tem muita importância porque todos estes esforços mostram a importância de um partido militante e a necessidade da consolidação de uma coluna nacional de quadros militantes organizados no partido para que possamos aproveitar todas as oportunidades que nos estejam colocadas, como conseguimos aproveitar no caso do Fórum Social Mundial
O P-Sol saiu fortalecido, aparecendo na polarização acerca do governo Lula e mostrando sua postulação como alternativa não sectária ao estar ao lado de Chávez contra o imperialismo, sem diluir o enfrentamento ao governo nacional. Devemos agora nos preparar para as tarefas e desafios que teremos no próximo período. É inquestionável que o FSM mostra que o espaço à esquerda se amplia. Pela nova ruptura ocorrida no PT, mas também pelo espaço maior aberto na juventude, nos lutadores sociais e na vanguarda política, em milhares de pessoas que começam a ver o P-Sol e sua política e a Heloisa Helena como uma alternativa ao governo Lula. Consolidar esse processo no próximo período é uma tarefa. A coordenação tem melhores condições para isso.
Alguns destes desafios estão postos, sendo parte deles já resolução do partido e tarefas da Executiva Nacional e da Direção Nacional encaminhar no próximo período:
1) Finalizar a organização da campanha de assinaturas pela legalidade, garantindo a entrega das fichas em todo o país.
2) Garantir a organização do ciclo nacional de debates para construção de uma alternativa para o Brasil
3) Impulsionar a organização e os debates do Congresso do P-sol
4) Impulsionar a participação nas lutas sociais, mobilizações, greves, protestos, marchas, ocupações e na disputa pela direção do movimento de massas, congressos, eleições sindicais, etc
5) Um desafio inadiável para o próximo período é dar continuidade ao jornal do P-Sol, garantindo periodicidade para que dessa maneira haja um veículo de informação e de política permanente, mensal para todos os militantes e amigos do P-Sol, para poder ter, dessa maneira, também uma Ferramenta para organizar os núcleos e a atividade política e social do partido.
Para ir enfrentando tantos desafios, programamos para março a necessidade de uma reunião da direção nacional do partido.
INFORME SOBRE EL V FORO SOCIAL MUNDIAL
Olmedo Beluche - MOVIMIENTO POPULAR UNIFICADO
Del 26 al 31 de enero de 2005, se desarrolló en Porto Alegre, Brasil, el V Foro Social Mundial. El Foro fue un evento de dimensiones extraordinarias, asistiendo al mismo unas 150,000 personas, según sus organizadores, las cuales participaron en centenares de mesas de debates organizadas entorno a 11 ejes temáticos, que incluían desde: reapropiación de los saberes, diversidad y pluralidad, arte y creación construyendo la cultura de resistencia de los pueblos, comunicación y prácticas contrahegemónicas, luchas sociales contra la dominación neoliberal, paz y desmilitarización, derechos humanos y ética y cosmovisiones.
Además de las mesas oficiales, el Foro contó con un campamento juvenil, en el cual moraron por una semana más de 10,000 jóvenes de todo el mundo, los cuales realizaban a su vez mesas de discusión aparte, incluyendo temas como la educación, sexualidad, etc. Además de esto diversos eventos culturales y políticos fueron realizados por organizaciones brasileñas parlelamente al propio Foro.
El Foro se abrió con una “paseata” (manifestación) que contó con unos 80,000 participantes, cuyos ejes fueron: la paz y la oposición a la guerra y ocupación de Iraq, la solidaridad con el pueblo palestino, contra las políticas del gobierno de Bush, el ALCA y el neoliberalismo. Destacó una importante delgación de Venezuela, ecologistas, pacifistas y de organizaciones de la Iglesia católica.
Las organizaciones brasileñas, principalmente los partidos políticos de izquierda y los grupos juveniles, agregaron consignas y cánticos (a ritmo de samba) contra la política económica del gobierno de Lula, al que acusan de pasarse al neoliberalismo. Entre las organizaciones nacionales de Brasil, destacaron la del Partido del Socialismo y la Libertad (PSOL) y el Partidos Socialista de los Trabajadors Unificado (PSTU).
Lula y Chávez, dos discursos distintos
Hubo dos eventos políticos de gran repercusión: las visitas de los presidentes Lula y Chávez. Ambos hablaron ante los asistentes al Foro en un gimnasio en el que caben unas 20,000 personas que, por supuesto, se llenó. Según los comentarios de la prensa brasileña (Folha de San Pablo), Lula no tenía previsto asistir a Porto Alegre, sino ir directamente al Foro Económico de Davos (del G-8). Pero el anuncio de la ida de Chávez lo forzó a asistir, unos días antes.
Mientras la presencia de Chávez recibió el apoyo casi unánime, la de Lula levantó diferencias, ya que diversas organizaciones políticas y sindicales le señalan haber traicionado los principios del Foro Social con su política económica. Por lo tanto, desde antes de su llegada, se preveía en la prensa que Lula sería abucheado, lo cual se dio relativamente dentro del gimnasio, porque el acceso fue rigurosamente controlado por la policía y las organizaciones de izquierda permanecieron en un mitin en la parte de afuera.
El eje del discurso de Lula fue su justificación de por qué debía asistir a Davos. Según él, era posible convencer al G-8 de aceptar su propuesta contra el hambre, consistente en proponer el fin de los subsidios agrícolas de los países ricos. Del discurso de Chávez, contrario a Lula, es notablemente antiimperialista, hizo énfasis en la reforma agraria que ha empezado a implementar, expropiando a los terratenientes. Incluso sostuvo que el socialismo no ha muerto.
El debate del Foro: diferencias entre reformistas y revolucionarios
Como ya se sabe, el lema de los foros sociales es “otro mundo es posible” contra el neoliberalismo. Es decir, el eje sobre el que convergen todos los asistentes es la oposición a las políticas neoliberales. El debate y las diferencias se producen en cuanto a las alternativas al neoliberalismo, y esto se reflejó claramente en la polémica presencia de Lula.
Dicho de manera suscinta, el Foro Social se divide en dos alas: una reformista, que controla la organización del evento, que cree que es posible reformar el capitalismo quitándole sus características neoliberales para darle “un rostro más humano”, como diría el Papa; la otra revolucionaria, que plantea que el neoliberalismo hace a la esencia del capitalismo, por ende no se le puede aplicar medidas cosméticas, se requiere una revolución socialista. Esta última perspectiva se expresó en este Foro bajo el lema: “Otro mundo socialista es posible y necesario (o urgente)”.
Para mejor comprensión, citemos dos ejemplos de las propuestas reformistas: la primera, la del propio Lula, cuyo eje es combatir el hambre en el mundo haciendo que los países ricos dejen de subsidiar su producción agrícola. De este modo, según Lula, los países pobres podrían exportar productos agrícolas con lo que se paliaría el hambre.
El problema es que esta medida, si se lograra, sería completamente insuficiente, pues quienes pueden exportar en nuestros países es la burguesía agroexportadora, la cual sería la beneficiaria de esa nueva realidad hipotética. Todos conocemos que no es cierto que, porque las burguesías nacionales mejoren sus negocios automáticamente se derramará hacia los más pobres la riqueza. Esto se ha hecho evidente en América Latina cuando ha habido épocas de crecimiento económico, como el 2004, sin que se resuelvan para nada los problemas sociales.
La segunda propuesta reformista fue hecha por Ignacio Ramonet, director de Le Monde Diplomatique, y uno de los dirigentes y creadores del Foro Social. Ramonet propuso cinco medidas “para cambiar el mundo”, que llamó el Consenso de Porto Alegre (diario O Sul, 30/1/05): extinción de los paraísos fiscales, cancelamiento de la deuda de los países pobres, la universalización del agua potable, la creación de impuestos sobre las grandes fortunas y tasa (impuesto) planetaria de solidaridad contra el hambre (conocida como Tasa Tobin).
Se aprecia pues que ninguna de las medidas toca la médula del sistema capitalista. La primera EEUU la apoyaría con gusto, pues ha estado trabajando en eso, pues coincide con su afán de control sobre los capitales; sobre la deuda externa, es más difícil, pero si se diera habría que preguntarse si en esa lista, aparte de los Haitis del mundo entrarían países como Brasil, Argentina o Rusia, de desarrollo intermedio pero donde este problema es explosivo; la del agua, la ONU dirá ue ya trabaja en ello al igual que muchas fundaciones privadas; la burguesía dirá que ya paga sus impuestos (como en Panamá están diciendo) y en todo caso cómo evitar que los traspasen mediante el alza de los precios; y la última, sólo consiste en que los países ricos aumenten sus asignaciones para la “ayuda al desarrollo”, la cual ya sabemos cómo se transforma en nueva fuente de dominación y explotación, sin pasar más allá de la caridad, sin resolver nada.
Lo que no tocan estas propuestas es que justamente el sistema capitalista se basa en la desigualdad social y en la explotación de una clase social sobre las otras. Esa es su esencia. Por ello, capitalismo es sinónimo de desempleo, bajos salarios, pobreza, hambre, opresión nacional, discriminación y guerras. Sobre estos males que pesan sobre la aplastante mayoría de la humanidad se sostiene la riqueza (y la felicidad) de las minorías. La única forma de que el capitalismo no se base en la ley de la ganancia (para unos pocos) es cambiando el sistema capitalista de propiedad sobre los medios de producción, como dijera Marx desde el siglo XIX, o sea, el socialismo.
Necesidad de una coordinacion mundial de los socialistas
En torno a este debate surgió la idea, impulsada por el Partido del Socialismo y la Libertad (PSOL), de Brasil, y otras corrientes, de constituir una entidad coordinadora internacional de quienes sostenemos esta segunda perspectiva. Para lo cual se convocó una reunión específica el domingo 30 de enero, que esperamos haya sido positiva.
Por supuesto, dentro de las corrientes socialistas del Foro también se expresa otro tipo de debate: entre los sectarios, cada vez menos, que prefieren el camino de la autoproclamación y se resisten a acciones conjuntas con los reformistas; y quienes sostenemos que la unidad de acción con los reformistas sobre los ejes del Foro es necesaria y útil, por tanto es un error excluirse de la participación conjunta. Sobre todo, cuando debido al fracaso stalinista de la ex Unión Soviética, todavía existen muchos prejuicios y dudas de la gente sobre lo que es el socialismo.
Asistimos al Foro invitado por la organización hermana brasileña, el PSOL, por ser miembro del comité editorial de la Revista Movimiento, en representación del Movimiento Popular Unificado (MPU) y dirigente docente de la Asociación de Profesores de la Universidad de Panamá (APUDEP). Nos tocó dar un saludo en nombre de nuestro país y hacer una breve reseña de la situación acá, tanto en un evento del Movimiento Tierra, Trabajo y Libertad (MTL) (un movimiento semejante al MST, Sin Tierra, pero crítico al gobirno de Lula), así como en el II Encuentro Nacional del PSOL.
Dentro de toda la gama de actividades que había decidimos privilegiar la asistencia a los eventos montados en la carpa de Venezuela y Cuba, que estaban juntas. Nos pareció lo más adecuado, no sólo por la simpatía que ambos procesos tienen en Panamá, sino porque la cercanía geográfica define una gran influencia sobre la realidad nacional.
Por parte de Panamá también estuvieron presentes, que sepamos: el Prof. Raúl Leis (CEASPA), con una participación destacada incluso en la dirección del Foro; una delegación de compañeros y compañeras de la Pastoral Social Cáritas, encabezada por Héctor Endara y Pablo Martínez; Anayansi Turner, por SERPAJ; una delegación del PRD.
Un nuevo partido obrero en Brasil: el Partido del Socialismo y la Libertad (PSOL)
Queremos destacar el surgimiento del PSOL como un partido muy dinámico y en rápido crecimiento que ha sido organizado por los llamados diputados “radicales” del PT, y que fueron expulsados de ese partido gobernante el año pasado por oponerse a la reforma de la seguridad social implementada por Lula, la cual es muy similar a lo que se pretende hacer en Panamá (aumento de la edad de jubilación, etc.).
El Encuentro del PSOL contó con unos 1,000 asistentes procedentes de todos los estados brasileños, entre los que había dirigentes campesinos, sindicales, docentes y, sobre todo, juveniles, opuestos a las medidas neoliberales que adopta el gobierno de Lula (incluida ahora una reforma de las Universidades públicas) y contrarios a la participación de tropas brasileñas en la ocupación yanqui de Haití.
Otro aspecto destacable del Encuentro del PSOL fue que concitó la asistencia de más de veinte delegaciones internacionales de todo el mundo, que apoyan y simpatizan con su programa y la necesidad de construir una nueva opción política para los trabajadores brasileños ante la traición de Lula y la cúpula del PT a sus compromisos con el programa histórico que habían defendido antes de llgar al gobierno. En este sentido, la existencia del PSOL se está transformando también en un catalizador de la unidad de los internacionalistas socialistas de todo el mundo.
El PSOL se enuentra en proceso de legalización, para lo cual ya ha recogido más de 450,000 firmas en todo el país, las que presentarán ante el Tribunal Electoral. Las caras más conocidas de este partido son: la senadora Eloísa Helena, y los diputados federales, Luciana Genro (Río Grande del Sur) y Joao Batista Babá (Belén).
El Foro tuvo como aspecto más positivo el aprobar una plan de acciones y movilizaciones mundiales. La primera, por la paz y contra la ocupación de Iraq, está convocada para el 19 de marzo próximo. Desde ya, en Panamá tenemos la tarea organizar esta movilización en términos similares a los realizados hace dos años antes de la guerra.
FORO SOCIAL MUNDIAL... LA ENCRUCIJADA DE JACOBO
Roland Denis - PNA-Mov 13 de Abril
Acabamos de pasar una semana en Porto Alegre participando en el foro social mundial. Bonita experiencia sin duda, un encuentro de al menos con una buena parte de todas las disidencias del mundo en todas sus expresiones, desde el pacifismo Maya, sus cantos, sus concentraciones de energías colectivas hasta todas aquellos que hoy en día expresan las voluntades más radicalizadas en el mundo contra el orden global del capital. Allí están presentes redes de agitación como es el caso de la AGP –Acción Global de los Pueblos- Indymedia, nacidas de las legendarias jornadas de Seattle y Genova, muy influenciada por grupos norteamericanos y europeos libertarios y promotores de la acción directa, hasta todas las ya veteranas internacionales del trotskismo. También están otros, menos efusivos en su reivindicación de la justicia humana, como lo son partidos allegados al reformismo socialdemócrata, los viejos partidos comunistas o de las jergas políticas apegadas a sus tradiciones. En el medio del camino se llega a compartir con esos gigantes de la paz como es caso de los hippies y artesanos ya de añitos condensados pero levando en frente toda la dignidad de lo que fueron las luchas de los años sesenta y setenta, o al revés, mucho muchacho que optan por el encuentro, el debate, la movilización, la música, la noche dulce y otros elixir de la vida, produciendo una impresionante concentración de juventudes mundiales, con la preeminencia por supuesto de las brasileñas. Ni se diga igualmente de los miles de foros particulares, unos de gran importancia como el observatorio mundial de la deuda promovido por Eric Toussaint.
De todas formas, lo mas importante de este encuentro es su significación política como encuentro y debate de innumerables movimientos sociales contrarios al neoliberalismo y el imperio del capital que a través de él incrementan sus niveles de articulación y acción conjunta. Independientemente de la hegemonía que ha tenido desde sus comienzos la socialdemocracia francesa -ATTAC, PSF- y los sectores reformistas ligados al PT y la CUT brasileña, el foro desborda sus límites produciendo efectos muy positivos para el movimiento anticapitalista de dimensiones globales. Habría que ver por ejemplo lo que representó la llamada carpa Intergaláctica, ligada al zapatismo, las luchas por la tierra, los movimientos de base y antiburocráticos, piqueteros, anarquistas, como lugar de encuentro y articulación de infinidades de gentes de todos los estilos y nacionalidades, o los estupendos foros que reunieron el P-Sol y el Movimiento Tierra, Trabajo y Libertad, enfrentados como partido y movimientos brasileños al gobierno de Lula, o las movilizaciones feministas e indigenistas que se produjeron. Claro, sería estupendo por supuesto que estos niveles de hegemonía sean superados y el foro pueda jugar un papel mucho más movilizador y activo, generando algo más que la sola articulación, debate y toma de posición genérica ante las devastaciones y crímenes del capitalismo imperial hoy en día. Por allí él es sólo una feria grandiosa de ideas, movimientos, de artesanías, libros, videos y músicas, un magnífico museo vivo para quien quiera conocer de cerca a los herejes de principios del siglo XXI. Hasta hay algo ya de patético en su dinámica cuando una y otra vez vemos a los mismos intelectuales –Ramonet a la cabeza- tomando la palabra por un movimiento mundial de rebeldía que después de sus declaraciones sobre Irak y la necesidad de la participación francesa en ella, por lo menos no le pertenece en absoluto. Pero esto tiene que ver con la misma dispersión y la naturaleza fragmentaria del movimiento revolucionario mundial, algo que no es un mal en sí ya que evita las centralizaciones jerárquicas y paralizantes que se vivieron particularmente en los tiempos de la III Internacional, la Tricontinental o el Foro de Sao Paulo en tiempos más cercanos, más sí es un debilidad enorme no superada. Por ello la valía final de todos estos encuentros no está en ellos mismos sino en sus consecuencias posteriores de coordinación y acercamiento. Ya están acordadas por ejemplo jornadas mundiales contra la guerra en Irak para mediados del mes de Marzo que son muy importantes, igualmente para Noviembre se acordó una gran concentración en Argentina contra el llamado Encuentro de las Américas y la llegada del nazi de George Bush a Mar del Plata. Pero, ¿y después qué¿.
Bueno parece que después viene Venezuela, las razones de peso, evidentemente nuestro papel emblemático dentro de la resistencia mundial de los pueblos y el peso de la figura de Chávez que sin duda se la comió en el Foro. Hasta donde hemos entendido, parte del próximo foro mundial se desplaza hacia Venezuela para principios del 2006, siendo una conjunción entre una suerte de Foro Mundial descentralizado entre el Africa y América del Sur y el mismo Foro Social de las Américas. Esto representa para el foro mismo un signo de decadencia tal y como ha sido concebido hasta hoy, pero al mismo tiempo una oportunidad para su relanzamiento como lugar caliente de lucha y debate. Una responsabilidad enorme para nosotros pero donde vemos colarse un problemita que puede tornarse fatal para todos.
El lugar de Venezuela hoy en día es demasiado importante para el conjunto del movimiento llamado altermundialista como para darnos el lujo de repetir las tonterías que allí se vieron, me refiero a la delegación venezolana como tal y que de hecho parece constituir una línea de continuidad entre ella, el llamado Encuentro de los Intelectuales y el Congreso Bolivariano de los Pueblo. Hay una suerte de oficialismo reinante en todas ellas y de una manera sobresaturada en lo que era la carpa venezolana del FSM que le quita el respiro a cualquier indicio de pensamiento crítico y autónomo que se presente y permita hablar con transparencia e incluso reflexionar con toda libertad y sentido autocrítico de nuestro propio proceso. Una especie de caricatura de modelo cubano sin bases ni justificación histórica ni estructural alguna, una postura circense de partido e ideología única, empieza a colarse dentro de los predios de los espacios controlados por muchos de los funcionarios que terminan encargándose de su control en estos foros internacionales. Allí estuvo esa carpa venezolana y cubana, divina en sus noches de buena rumba pero colmada en el día de gentes interesadas en conocer el proceso que aquí vivimos pero donde sólo se repartía propaganda de gobierno y se hablaba de los grandes éxitos de nuestra revolución, repitiendo mil veces lo que se ha hecho con las misiones. Muchachos estudiantes de la Universidad Bolivariana que los utilizaron en su mayoría de repartidores de propaganda, aislándolos de lo que hubiese podido ser una experiencia de formación extraordinaria y única para ellos. Una carpa que no tenía en su interno la presencia de ningún movimiento social venezolano, que nada tenía que ver con el sentido plural, crítico y de base del mismo foro y de la revolución bolivariana. O que en todo caso, cuando llegamos en una mínima representación de ellos, gracias al esfuerzo de quienes lo hicieron posible desde Miraflores, -y bien agradecidos que estamos por esa Luis- fue mejor para todos tomar distancia de ella ya que entre sus voces se decía –hay Jacobo por favor- que en el camastrón llegamos unos pila de contrarrevolucionarios. ¿Francisco Mieres, Stalin Perez, contrarrevolucionarios¿. Por favor hasta dónde vamos a llegar con ese estilo ridículo, mentiroso y castrante del hiperburócrata que nos meten hasta en la sopa.
Este tipo de cosas que parecen secundarias, de hecho ya se está convirtiendo en la norma entre los tantísimos encuentros entre movimiento popular y gobierno que hoy día se dan. Esto da para mil consideraciones de otro tipo. Pero en el caso del próximo reto que tenemos de ser centro del FSM, si el gobierno no revisa esta línea de conducta y más bien la refuerza por la evidente importancia que jugará dentro de él como referencia y prestador de recursos que los movimientos no tienen, podemos llegar a hacerle un grave daño al movimiento mundial de resistencias en su conjunto. Si en este foro se reproduce el retrato de un Chávez, de nuestros delegados, rodeados de seres que fueron abucheados a gritos como pasó en Porto Alegre y no de movimientos sociales de todos los coloridos y expresiones, habrá más de uno que nos maldiga por el crimen. Chávez, incluso aquí en Venezuela, tiene que ser un invitado, especialísimo todo lo quieran, pero un invitado más al Foro. Y esa invitación debemos cursarla movimiento sociales de este continente. Acordémonos que el mando, después de la caída del muro de Berlín, el carachazo, la rebelión de Chiapas y de Seattle quedó para obedecer no para imponerse. Esta es una feliz hegemonía espiritual e ideológica que reina hoy sobre el movimiento de lucha mundial de los pueblos y no habrá hiperburócrata que invierta esta maravillosa ganancia, así se valga de los retratos de Fidel, de Che y de Chávez –mas los recursos de su gobierno- para imponerse. Claro que el gobierno venezolano tiene todo el derecho de defenderse y propagandizar la obra transformadora que promueve, pero una cosa es esto y otra decir que la revolución bolivariana es solo gobierno. Sería lindo que alguien de gobierno pueda llegar remozado de un discurso donde más bien se oiga y se exponga en grande que si en efecto la revolución que vivimos tiene algo de gobierno pero sobretodo está fuera de él, abra luego las cortinas y presente las maravillas generadas desde la iniciativa y la lucha popular, abriendo totalmente a ese pueblo el derecho a su palabra crítica y siempre subversiva. Ese será el día en que nos convirtamos en revolución emblemática de verdad. De todas formas si no lo hacen así sea con las uñas y con carpas de cartón otros lo haremos en respeto al Foro Mundial como conquista de los pueblos en lucha y de la propia revolución bolivariana.
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Alejandro Bodart
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