Venezuela: revolução na revolução?
O golpe começa a partir de dezembro 2001. Com a publicação das "40 leis habilitantes" e a negativa, aberta a público, de parte da Federação de Fazendeiros, em aceitar a lei de terras. Em 6 de dezembro, eles chamam a primeira paralisação nas empresas, que teve um êxito importante. A partir de janeiro, há duas paralisações, que vão aglutinando todo um movimento de massas ao redor da conspiração, um movimento forte, que tinha uma classe média com disposição à mobilização. Mas, além da classe média e das paralisações, alguns militares começaram a declarar publicamente sua confrontação e sua não obediência à chefia de Chávez. Agruparam-se generais que saíam semanalmente nos meios de comunicação chamando à subversão e à desobediência civil. E isso foi fortalecendo o movimento conspirativo e lhe dando um caráter evidentemente golpista.
Os EUA e toda a esfera imperialista, por outro lado, começavam uma radicalização contra Chávez. Naquele momento, o governo ficou em uma posição passiva, sem dar uma resposta contundente. Só o que fez foi iniciar uma etapa de contramanifestações. E de um governo que convocava apenas 50, 80 mil pessoas, passou a realizar manifestações muito grandes, de 100, 200, e 300 mil pessoas a seu favor. Houve duas mobilizações muito grandes antes do golpe. As pessoas iam sozinhas para ouvir Chávez, mas não havia uma política que permitisse enfrentar o movimento conspirativo.
Chávez tinha confiança nos militares, inclusive nos generais que ao final participaram do golpe de Estado. O grupo de inteligência em que se baseava Chávez para as análises, era dirigido por um dos principais chefes do golpe de Estado de 11 de abril, então se pode imaginar as informações que o presidente tinha em suas mãos.
Além disso, o processo bolivariano era um processo ainda não totalmente definido. Não era o processo político que estamos vivendo hoje. Suas posições diante do problema imperialista, o problema da ALCA, o problema social e da burguesia, eram muito menos conclusivas e mais confusas do que agora.
O momento era crítico, e Chávez decide tirar a direção do PDVSA e substituí-la por outros gerentes, e a situação fica muito ruim. Chávez tinha que reconhecer que se mobilizaram centenas de milhares de pessoas de classe média, mobilização utilizada pelo golpe, conspiração global que acabou sendo perfeita, com um eixo de mobilização, um midiático e outro militar.
O plano do governo ante o golpe que estava em marcha era o plano clássico de usar as Forças Armadas. Não havia outro plano além do Plano Ávila, ou seja, tirar as FA à rua, decretar o estado de exceção e conter, com isso, o movimento conspirativo. Dois dias antes do golpe, se acreditava que as FA estavam controladas, 80% de militares a favor do governo e portanto não havia nenhuma possibilidade de golpe.
O problema é que quando Chávez decide aplicar o Plano Ávila, os militares não lhe obedecem e ele fica completamente desarmado. E os franco-atiradores golpistas começam a partir das duas da tarde o massacre de 11 de abril.
Há o enfrentamento quando a marcha chega ao centro de Caracas – era uma marcha gigantesca. No dia seguinte, começa um processo de reagrupamento que foi se convertendo em uma grande onda até a grande rebelião popular com a saída maciça do povo no dia 13. Milhões de pessoas nas ruas de toda Venezuela.
 
Estes detalhes servem para que se veja qual foi a evolução do processo venezuelano, e mesmo do presidente, que de uma posição muito clássica militar e ortodoxa pouco crente da força da mobilização popular – de utilizá-la somente como um instrumento de propaganda ou como demonstração de força para grandes eventos –, teve que dar-se conta de que é o sujeito, o protagonista real, e que não tinha outra alternativa senão sustentar-se nesse movimento.
 
O referendo
O referendo foi um processo muito longo, que começou em novembro, primeiro com as assinaturas pela revogação do mandato de 32 deputados da oposição, depois as assinaturas da oposição contra 20 deputados do governo, e, finalmente, o referendo da oposição revocatória do presidente.
Para revogar os deputados primeiro da oposição, Chávez nomeia o Comando Ayacucho, que era basicamente um acordo de partidos políticos, do MVR até o PC, e que começa a organização das assinaturas contra os deputados da oposição. Ao mesmo tempo, impõe o quadro de disciplinas dos candidatos a todos os postos, governadores, vereadores, prefeitos, deputados que se designaram paralelamente ao referendo.
Em um primeiro momento, o governo acusa a oposição de fraude na busca de assinaturas através da clonagem de cédulas, de assinar por mortos, etc. O problema da Venezuela é que não há registro eleitoral além de uma base de dados onde estamos inscritos. Mas ali não está corroborado algo que reafirme a identidade, quer dizer, uma pessoa poderia se inscrever dez vezes ou haver cédulas de mortos, porque, segundo o registro eleitoral, nos últimos 25 anos, só morreram 200 mil pessoas. No conselho eleitoral, a maioria das pessoas que trabalha é da direita, por isso são eles têm tudo isso controlado. Começou, então, uma confusão em torno destes referendos. Tanto dos deputados deles, como de nossos deputados e também com as assinaturas do referendo revocatório contra o presidente. Eles entregam 3 milhões e meio de assinaturas e logo vêm a verificação das assinaturas ao conselho eleitoral, onde teoricamente há três pessoas a favor do governo e duas da oposição. Ali, começa toda uma discussão terrível até que se toma a decisão final de que um milhão e duzentas vão ser revistas porque as pessoas não escreviam o nome, mas somente assinavam. Revisão para eles e revisão para nós. No último dia das revisões, já se sabe que eles não chegaram às assinaturas que necessitavam. As pessoas dizem que é uma vitória popular porque não conseguiram as assinaturas. No último dia, há gente que sai à rua e inclusive se queimam ônibus contra a direita e para que se impugne.
Nossa posição é de que nos convinha impugnar o referendo. Por quê? Porque a oposição estava contando com que Chávez não aceitasse ir a referendo. Para isso, havia uma estratégia. Uma estratégia com a OEA com os EUA, e internacional. Quando Chávez vai ao referendo e levanta-se a batalha de Santa Inés, desmonta-se o quadro da política da direita. Apropria-se das bandeiras democráticas e então cai o jogo da oposição e o imperialismo.
Chávez se converte, agora sim, no líder mais democrático do mundo. Quer mais democracia que essa de aceitar ir a um referendo a respeito da sua presidência?
Houve outro feito importante. Quando nós entregamos nossas assinaturas para a revogação dos 32 deputados da direita, por exemplo minha assinatura nunca saiu. E a assinatura de centenas de milhares de pessoas não apareceu e inclusive não apareceu a assinatura do presidente Chávez. Que tinha se passado? O comando Ayacucho vendeu as assinaturas aos deputados da oposição, porque ainda há relações entre eles, porque esses deputados da oposição são deputados que saíram do chavismo.
Adotar a decisão de ir ao referendo significou também abrir um passo para a auto-organização democrática do povo para que ele decidisse. Na constituinte, foi Chávez quem pediu que houvesse a figura do referendo contra o presidente e todos os cargos públicos, foi um triunfo de seus próprios princípios.
Com o processo do referendo, começa a mobilização propriamente dita. Primeiro cai o Comando Ayacucho. Chávez pede, na primeira mobilização do referendo, um aplauso para o Comando Ayacucho e, pela primeira vez, as pessoas dizem não a Chávez de forma respeitosa. Ali começa a mudar a relação entre líder e as massas, que tomam uma posição mais crítica, e Chávez se dá conta disso. Por isso, se monta o Comando Maisanta, inclusive com um companheiro nosso que é o que faz o esquema do novo comando, um esquema diferente daquele do Comando Ayacucho, diretamente comandado por ele e não pelos partidos – na base, toda a estrutura está liderada pelos movimento populares.
Começa a formação de muitos comandos populares, o comando dos pobres, o comando bolivariano dos pobres. O povo designa os comandos municipais a partir da base e se produz um choque com o processo que vinha de cima, do Comando Maisanta. Quando se aproximam do nível municipal, se abre um debate onde os de cima tratavam de levar seus candidatos e os da base não aceitavam os candidatos de cima.
Ao final, houve um equilíbrio de forças e as pessoas começaram a trabalhar com muito entusiasmo. Se somam às patrulhas, nos comandos, e se forma um quadro muito belo de organizações que começam seu próprio processo até a vitória. Se tivesse havido mais postos de votação popular, Chávez teria feito 65% dos votos. O problema dos pobres era que havia mesas de votação com filas imensas de 14 horas e houve gente que logicamente se cansou. Por isso, houve 25% de abstenção. Se tivessem votado, o triunfo seria maior.
 
Foi uma vitória contundente de Chávez, uma vitória dos valores e dos princípios que se defendia da constituição, mas principalmente uma vitória política, contra um inimigo conspirador muito violento, que até ultimo momento utilizou as formas mais fascistas de luta, até que teve que chegar ao referendo. Vitória contundente a qual não deixa outra saída à oposição senão aceitá-la.
 
Vem novos tempos
Termina um ciclo de três anos de luta, de se manter na defensiva, de não poder traçar linha estratégica, de ter que aceitar as fórmulas mais burocráticas e mais autoritárias para a eleição de candidatos, para todos os mecanismos de regulação da direção em geral, aceitar políticas erradas e aceitar dinâmicas e práticas de corrupção terríveis. Encerra-se esse processo, essa chantagem já não funciona, já não estamos à defensiva, passamos à ofensiva e à construção revolucionária, acreditando que teremos um ano de trégua e de força absoluta para poder avançar de forma contundente.
Vamos, então, para o Congresso Nacional do Poder Popular, para o aprofundamento político, para a crítica aberta e pública à corrupção e à má administração de muitas instituições públicas, enfim, para a criação de organizações populares muito mais importantes e a incorporação, é claro, de muitas pessoas que não quiseram participar como militantes mas que são uma força muito importante neste processo. E vamos à formação do movimento de 13 de abril, que acredito que nesta etapa vai ter um papel muito importante, porque vai ser uma organização que não se envolve em práticas eleitorais a não ser diretamente nas práticas de defesa e construção revolucionária.
(...) matéria completa na edição impressa de Movimento

  • Julio Blanco Barrera

    Dirigente de La Lucha Continua – Perú

     

    CRISIS UNIVERSITARIA Y NEOLIBERALISMO
    Después de más de dos meses de lucha que costó un muerto y varios heridos, los estudiantes universitarios del Perú lograron una primera gran victoria parcial frente al gobierno y su política, al conseguir la destitución de las autoridades corruptas y aperturar la reorganización en dos de las tres universidades tomadas por sus alumnos: la Universidad Nacional del Altiplano (UNA) en Puno y la Universidad Nacional de Trujillo (UNT). En Lima la Universidad Nacional de Ingeniería (UNI) fue ocupada por la fuerza pública pero los estudiantes siguen en pie de lucha reclamando también la destitución del rector. Estos hechos fueron precedidos por las jornadas de la Universidad Nacional Jorge Basadre (UNJBG) de Tacna donde también los estudiantes, después de más de 40 días de toma de locales, lograron la renuncia del rector y las autoridades corruptas. Estas luchas dan inicio a un proceso de recuperación del movimiento estudiantil peruano y muestran un problema mas de conjunto que afecta a casi todas las universidades del Perú evidenciando el carácter estructural de la crisis universitaria.
    Este flujo de las luchas estudiantiles en el Perú, se da en el marco de un periodo de asenso del movimiento estudiantil y popular en América Latina; en Bolivia, por ejemplo, los estudiantes de la Universidad Técnica de Oruro (UTO) vienen realizando numerosas jornadas de protesta en contra del actual modelo de universidad impuesto en su país, ha ello también se suman las luchas que vienen librando los estudiantes en Brasil y en otras universidades del continente. Ha diferencia de las jornadas latinoamericanas por la primera reforma universitaria que se oponían a la universidad aristocrática de principios del siglo XX  y buscaban la democratización y modernización capitalista de la universidad, las actuales luchas se dan en un contexto de crisis del modelo neoliberal en América latina y en el mundo, lo cual se evidencia en que el derecho a la educación publica y de calidad es vulnerado sistemáticamente. De ahí que la presente lucha estudiantil en el Perú y América Latina, partiendo de demandas democráticas muy sentidas, adquiere una dinámica antineoliberal, y por tanto antiimperialista y anticapitalista.
    Naturaleza de la crisis de la universidad peruana.
    A partir de 1992 el gobierno neoliberal  y dictador de Alberto Fujimori implementó una serie de contrarreformas a la ley universitaria 23733, las cuales se enmarcarían dentro del proceso de instauración del nuevo modelo de estado neoliberal que encuentra en la fraudulenta Constitución del 93 su expresión jurídica y política más importante.
    Esta contrarreforma universitaria tiene su “base” legal en la promulgación de los decretos supremos 739, 700 y 726, los cuales no solo eliminan de plano la autonomía universitaria al permitir el ingreso de las fuerzas armadas y policiales al claustro universitario y condicionan los silabus y curriculas al gobierno central ha través del ministerio de educación, sino también establecen la implementación de cobros por derecho de enseñanza, la reelección de autoridades universitarias, la limitación de la libre participación de los estudiantes en el cogobierno universitario, entre otras medidas.
     La nueva legislación Fujimorista, al recortar estos derechos democráticos fundamentales, sienta las bases para la materialización del proyecto de universidad-empresa que le permite al estado desentenderse del gasto en educación superior para priorizar sus compromisos con la deuda externa que hoy consume el 26% del presupuesto nacional mientras a la educación publica apenas se le destina el 2%. Ello traería como consecuencia el desfinanciamiento de la universidad y la instauración de mecanismos empresariales que obligan a que los estudiantes terminen cubriendo el déficit presupuestal a través del cobro de “tasas educacionales”. Esta nueva concepción de la universidad generara la corrupción, ya que para las autoridades la universidad se convierte en un espacio de acumulación de capital dejando de ser una institución al servicio de los estudiantes y de la sociedad.
    De igual manera el nuevo modelo universitario refrenda la tendencia que excluye a los trabajadores del gobierno de la universidad al reconocer como miembros de la comunidad universitaria solamente a los docentes, graduados y estudiantes, ello también ha contribuido a desligar a la universidad de la sociedad y a fortalecer a las mafias corruptas de autoridades.
    La lucha democrática que llevo adelante el pueblo peruano contra la dictadura, al ser absorbida y mediatizada por los partidos de la derecha al servicio de los grupos de poder imperialista, no permitió llevar hasta las ultimas consecuencias las reivindicaciones democratizadoras de las grandes mayorías, por ello es que la Constitución del 93 quedo vigente y con ella el modelo de universidad neoliberal, significando esto la estabilidad al gran capital monopólico y a las mafias universitarias. Ello ha llevado a que la universidad peruana quede sumida en la corrupción, en el abandono presupuestal y en manos de mafias que se instauraron e institucionalizaron durante la década de la dictadura, muchas de ellas provenientes de las filas del viejo partido maoísta Patria Roja.
    La organización estudiantil.
    La aplicación de la contrarreforma fujimorista también afecto notablemente las capacidades organizativas del movimiento estudiantil peruano. La lucha contra el terrorismo “justifico”la destrucción de las organizaciones naturales del estudiantado y genero la despolitización de éste. Actualmente existe una carencia de instancias representativas que permitan dotar al movimiento estudiantil de una dirección unitaria y centralizada, por ello es que la atomización y dispersión de las luchas tiende a ser una constante contribuyendo a debilitar las iniciativas y aislar las acciones, cuando el problema de fondo afecta a todas las universidades demandando por ello una respuesta conjunta.
    Otro de los factores que a contribuido notablemente a acrecentar este déficit organizacional ha sido y es el rol pérfido jugado  por el partido maoísta Patria Roja. Esta organización, con sus métodos conciliadores y hegemonistas, terminó haciéndole el juego a la dictadura fujimorista y colaborando con ella en la nefasta tarea de destruir y despolitizar al movimiento estudiantil.
    Esta política nefasta la utilizaron para vaciar a la Federación de Estudiantes del Perú (FEP) en la cual solo ellos ejercían presencia y control político, lo que les permitía tener mejores condiciones para negociar con los gobiernos de turno. Ello ha llevado hoy a la imposibilidad total de realizar cualquier intento de recomposición democrática de la FEP “desde dentro”, ya que las posiciones sectarias y hegemonistas de Patria roja lo impiden.
    Actualmente la FEP de Patria Roja se ha convertido en un cascaron vacíó y carente de toda representatividad real, un hecho que evidencia claramente esto se dio cuando convocaron a una movilización nacional para el 16 de septiembre último y en Lima solo asistieron 50 personas, no teniendo ninguna repercusión en el interior. Patria roja y su FEP han estado ausentes del ultimo proceso de lucha estudiantil manteniendo en todo momento una posición critica, acusando al estudiantado junto a los voceros de Toledo, de tener vinculaciones con el terrorismo, lo cual ha generado el repudio total  hacia esta corriente.
    A pesar de todo ello el movimiento estudiantil, en este último periodo de ascenso ha generado muy embrionariamente espacios y mecanismos de centralización, teniendo como ejes dinamizadores las tres universidades en conflicto (Trujillo, Ingeniería y altiplano- Puno), con las cuales se ha formado una coordinadora ínter universitaria. Desde allí se ha impulsado la organización y la unificación de las luchas no solo de las universidades en conflicto sino también a nivel nacional. El grado de representatividad de este nuevo espacio quedo evidenciado en la masiva convocatoria que se logro en la jornada nacional del 22 de septiembre donde, en Lima solamente, después de muchos años marcharon alrededor de 3000 estudiantes de diversas universidades de la capital y del interior. Aún cuando este espacio no representa todavía una estructura nacional reconocida por el conjunto de los estudiantes, es un primer esfuerzo por dotar al movimiento estudiantil de una dirección, tarea que se repontenciará  a partir de la reconstrucción democrática y desde las bases del movimiento estudiantil universitario.
    Las nuevas consignas y la orientación de la lucha estudiantil.
    Las principales consignas que han permitido unificar hasta ahora la lucha estudiantil son: contra la corrupción, contra la reelección de autoridades, por la implementación del voto universal y por la revocatoria. Estas demandas democráticas cuestionan directamente la corrupción institucionalizada en la universidad peruana.
    La corrupción vigente en las universidades esta amparada por la corrupción estatal que caracteriza al gobierno de Alejando Toledo y tiene como sostén legal la actual Ley Universitaria y las demás instituciones del Estado, como la Asamblea Nacional de Rectores (ANR), que se ha convertido en un sindicato de rectores encargado de cubrirles las espaldas a los corruptos; de igual manera el Ministerio de Educación se encuentra en manos del promotor del modelo de universidad-empresa durante el fujimorismo, Arq. Javier Sota Nadal, quien en repetidas oportunidades a demostrado su vocación privatista y preservadora del estatus quo universitario, así mismo el parlamento y el ejecutivo son contrarios a solucionar las demandas estudiantiles dedicándose únicamente a descalificar la protesta estudiantil acusándola de ser un montaje del terrorismo senderista.
    Las nuevas luchas estudiantiles aperturadas por los sucesos de la universidad de Tacna en junio de este año y continuadas en Puno (UNA), Trujillo (UNT) y Lima (UNI), son a su vez, parte de las luchas democráticas y antineroliberales que viene llevando a cabo nuestro pueblo en diversas instancias y que encuentra en la lucha contra la corrupción, contra la impunidad, contra las privatizaciones, sus banderas más sentidas. Lo ocurrido en el pueblo de Ilave hace algunos meses atrás  evidencia esta tendencia, ya que allí fueron precisamente las demandas democráticas que exigían la destitución de la autoridad corrupta lo que termino desbordando la paciencia del pueblo ante la incapacidad legal e institucional de resolver sus problemas. De igual modo el paro nacional de la CGTP del 14 de julio que levantó la exigencia de una Asamblea Constituyente muestra la importancia de las consignas democráticas como palancas de movilización contra los gobiernos de turno entregados al gran capital imperialista.
    Luchas como las de los estudiantes o las del pueblo de Ilave (ilave) cuestionan profundamente el sistema político imperante ya que muestran el carácter antidemocrático de los regímenes democrático burgueses. Las demandas estudiantiles, por ejemplo, confrontan directamente la actual legislación universitaria vigente y cierran filas en torno a la exigencia de una nueva reforma universitaria que solo puede llegar a plantearse seriamente en el marco de una nueva Asamblea Constituyente con representantes directo de las organizaciones populares, universidades, colegios profesionales, frente regionales, comunidades, etc. El gobierno de Toledo y todos los partidos del régimen se oponen a este elemental derecho democrático y pretenden introducir solo reformas parciales a la Constitución fujimorista aún vigente para no tener que poner en cuestión el modelo neoliberal. La demanda de una Asamblea Constituyente ha pasado entonces a ser un factor de unidad del pueblo peruano y los estudiantes y chocará una y otra vez con el Acuerdo Nacional (partidos burgueses, empresarios y direcciones sindicales) que sostiene a Toledo.
    ¿Qué se ha logrado hasta ahora y que queda por hacer?
    Lo que se ha logrado hasta ahora son triunfos parciales que abren mejores condiciones para la lucha y por la reorganización del movimiento estudiantil. Siguen en pie una serie de reivindicaciones como la lucha por más presupuesto para las universidades y contra el pago de la deuda externa, en defensa de la educación publica y contra la privatización, por la disolución de la ANR y vigencia de la autonomía universitaria (si bien fue necesario usar la ANR para sacar a las autoridades corruptas, la democratización que reclama el movimiento estudiantil no vendrá de la mano de las comisiones interventoras designadas por la ANR). Definitivamente se ha abierto un proceso de reorganización desde abajo y en la conciencia estudiantil se ha instalado la necesidad de pelear por una reforma universitaria cuyo contendido democrático y antineoliberal llevará a articular de mejor manera, con el conjunto del movimiento popular la lucha por una Asamblea Constituyente.
    Queda entonces en pie la tarea de reorganizar los gremios al calor de estas luchas y desde las bases, con métodos democráticos, y también la de gestar una nueva dirección estudiantil nacional que busque comprometer la lucha universitaria con el conjunto del pueblo en tanto el estudiantado es también un componente de la lucha social antiimperialista y anticapitalista.